Enfermagem

07/04/2011

Tragédia em Realengo

Filed under: Artigos - Diversos — Larissa Fernanda Passere @ 21:54

Por mais que eu tente me colocar no lugar de uma mãe ou um pai, não consigo imaginar 0,1% dessa dor… 

Hoje, pela manhã, em Realengo, Rio de Janeiro, Wellington Menezes Oliveira conseguiu entrar armado na escola municipal Tasso da Silveira (de Ensino Fundamental),  e até o momento as notícias desencontradas das TV’s e jornais informam que 11 crianças foram assassinadas com tiros na cabeça e abdômen.

O mundo inteiro se volta para o Brasil, para Realengo, para o Rio de Janeiro… Infelizmente, a violência contra as crianças e adolescentes não é rara no país. Existem diferentes formas de violência, adolescentes, meninos, negros são as maiores vítimas.

Professores desestimulados cansam-se de denunciar a violência em várias escolas urbanas das periferias brasileiras: crianças e adolescentes expostos ao tráfico de drogas, alunos armados, roubos… Mas nada se compara ao que aconteceu nesta escola hoje.

Na manhã de hoje a escola recebia ex-alunos para dar palestras em comemoração aos seus 40 anos. Segundo relatos de profissionais da escola de Realengo o ex- aluno, Wellington, aproveitou-se disso e se identificou como um dos palestrantes.

Não se tem ainda informações seguras sobre o que levou este jovem a matar 11 crianças de 12 a 14 anos (10 meninas e 1 menino) e ferir mais 29! Quanto a morte do atirador, a versão do sargento Alves, o primeiro a chegar à escola é de que o atirador foi baleado pelo sargento e após levar um tiro se matou.

Há uma imensa especulação na mídia e impressa sobre o perfil do atirador: desde que se tratava de um “doido islâmico”, de que era “filho adotivo”, “viciado em internet”, jovem de “poucos amigos”, “portador do HIV”…

Esse é um momento perigoso, onde veículos de comunicações, em busca de audiência exploram como podem esta imensa tragédia: islamismo, adoção, internet e portadores de HIV tornam-se explicações fáceis para nossas mentes bestificadas diante do absurdo que é crianças serem mortas dentro da escola.

Ouço na Record News o absurdo do apresentador João dizer que ataques como este é “normal” no Oriente Médio! TV’s dizem que o atirador deu mais de 100 tiros! Como seria possível dar mais de 100 tiros se o atirador portava dois revolveres de calibre 38?  Como este jovem tinha tanta munição? Como conseguiu as armas? Como fomos capazes de dizer não ao desarmamento e sim ao comércio de armas?

Tento escrever este texto em busca de alguma organização mental, emocional. Não sou mãe, não posso sequer imaginar a dor desses pais que deixaram seus filhos na escola, porque é um espaço de saber, um espaço de formação, um espaço de cidadania, um direito das crianças e adolescentes frequentarem de modo seguro, um dever de governos e uma obrigação constitucional dos pais enviarem seus filhos.

Mesmo assim na Record News prosseguia insistindo no ‘argumento’ de que nos ‘demais países’ isso é ‘terrorismo’ e se não iremos tratar assim também! Como pode uma TV propor esta abordagem sem qualquer investigação?

Todo adulto deve ser responsável por qualquer criança. Isso significa, por exemplo, olharmos para além dos nossos umbigos, de nossas crias, isso exige de nós um compromisso maior e real, que sejam capazes de incluir, educar, espaços culturais e de lazer, formar e amar todas as nossas crianças. Elas merecem um futuro melhor que balas na cabeça…

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