Enfermagem

19/03/2011

Oligodendrogliomas

Filed under: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 14:59

Os oligodendrogliomas (OD) representam de 15 a 30% dos gliomas. Acometem pacientes de todas as idades, embora sejam mais comuns em adultos, com um pico de incidência entre 25 a 49 anos. Ocorres uma discreta predominância no sexo masculino, em uma taxa de 2 para 1.

Apresentam localização em 80 a 90% dos casos nos lobos frontais e temporais. Tipicamente demonstram um crescimento lento, caráter infiltrativo e tendência a invadir as meninges. Podem ser classificados como oligodendrogliomas (OD – grau II) ou oligodendrogliomas anaplásicos (AO – grau III). São os tumores primários do sistema nervoso central que mais freqüentemente metastatizam fora do cérebro, possivelmente devido à maior sobrevida em comparação com outros tumores cerebrais. A sobrevida médica dos pacientes portadores de OD é de cerca de 10 anos, enquanto no AO é de 21 meses, aproximadamente.

Entre os tumores sólidos do sistema nervoso central, os oligodendrogliomas estão entre os mais sensíveis ao tratamento quimioterápico, apresentando maior resposta ao tratamento e melhor prognóstico do que os astrocitomas difusos. Essas diferenças, em parte, são explicadas por características moleculares genéticas.

Diagnóstico

Os sinais e sintomas clínicos são relacionados à área cerebral envolvida, podendo corresponder a crises convulsivas (ocorrem em até 91% dos pacientes em algum momento da evolução da doença), cefaléia, déficits visuais, alterações do estado mental, paresias, entre outros, com durações altamente variáveis, de meses a anos.

O padrão – ouro para o diagnóstico permanece sendo a biópsia. Os achados de imagem geralmente são característicos, porém não patognomônicos. Geralmente representam lesões expansivas com margens bem definidas, localizadas no córtex e na substância branca subcortical. Na TC, manifestam-se como lesões hipodensas ou isodensas, com pouca ou nenhuma impregnação pelo contraste.

Calcificações são achados comuns e mais facilmente visualizadas por meio da TC do que da RM. Podem apresentar áreas císticas ou hemorrágicas.

Na RM, os OD apresentam-se como lesões hipointensas em TI e hiperintensas em T2, na maioria dos casos. Geralmente não apresentam edema peritumoral, entretanto, quando este está presente, parece estar associado a um pior prognóstico.

A espectroscopia é uma técnica quantitativa de RM que estima o fluxo sanguíneo cerebral e pode ser usada para se acompanhar a resposta ao tratamento ou a progressão tumoral.

Estudos preliminares com uso de PET demonstram que esse exame pode ser útil na diferenciação entre tecido cicatricial e neoplasia, biologia tumoal(grau do tumor), resposta ao tratamento e progressão tumoral, entretanto, aparentemente, o traçador mais útil para essa patologia parece ser a metionina e não a FDG, utilizada nas atuais PET.

Fatores de risco

Eventualmente, a maioria dos OD progride para tumores de alto grau com piora dos sintomas e alterações nos exames de imagem, como o surgimento de hipercaptação ao contraste na RM e requerem nova ressecção ou biopsia para orientar a terapêutica. A sobrevida média é maior para os tumores anaplásicos secundários do que para os ODA.

Tratamento

Cirurgia

O tratamento dos OD pode compreender cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Nenhum tratamento, até o momento, mostrou-se curativo nessa doença. Embora exista controvérsia sobre o impacto da extensão da ressecção no prognóstico.

Devido a característica infiltrativas e por vezes de localização da lesão, o risco de dano neurológico decorrente da cirurgia torna necessário o uso de técnicas especiais, como a cirurgia estereotáxica, a cirurgia com o paciente consciente e quando disponível, o uso de exames de imagem intra-operatórios. O uso de pastilhas biodegradáveis de carmustina (BCNU) durante a cirurgia de ressecção primária também deve ser considerado, estas são colocadas no leito tumoral, no espaço residual deixado pela ressecção. Caso não sejam utilizadas inicialmente, devem ser consideradas quando houver indicação de cirurgia para recidiva.

Radioterapia

Como são neoplasias radiossensíveis, a RT pode ser utilizada como tratamento primário nos casos em que a localização da lesão impeça uma abordagem cirúrgica. Como tratamento pós-operatório, entretanto, existe controvérsia sobre os benefícios dessa modalidade nos gliomas de baixo grau. Em 300 pacientes portadores de gliomas de baixo grau, não houve benefício em relação a sobrevida nos pacientes submetidos a radioterapia até 6 semanas após a cirurgia ou no momento da progressão. Os mesmos resultados foram alcançados por outro estudo que avaliou especificamente pacientes com oligodendroglioma de baixo grau, não demonstrando benefício no tratamento imediato.

Sugere-se que a RT seja postergada nos tumores GII, especialmente em pacientes assintomáticos ou com convulsões como única manifestação clínica, idade abaixo de 45 anos, com deleção 1p e 19q, até o momento da progressão clínica, evitando-se, assim, os efeitos adversos cognitivos que se tornam clinicamente evidentes após alguns anos de RT. A dose de RT também apresenta influência no grau de toxicidade apresentado, sendo que doses superiores a 50 GY estão associadas à maior incidência de necrose por radiação e não acarretam melhora do prognóstico.

Quimioterapia

O conhecimento de que os oligodendrogliomas apresentam altas taxas de resposta a quimioterapia levou a incorporação desta como parte do tratamento padrão nos tumores de alto grau, embora não haja demonstração de aumento de sobrevida.

Os oligodendrogliomas anaplásicos requerem tratamento imediato com radioterapia após o diagnóstico. Existe controvérsia em relação a combinação de PCV e temozolomida. Outros regimes utilizados, dependendo da experiência local, são as combinações de etoposide, cisplatina, e fotemustina, e carboplatina e etoposide.

Quimiorradioterapia

Temozolomida e radioterapia: extensamente estudada em glioblastoma multiforme e astrocitomas, essa combinação está sendo avaliada em OD. A dose concomitante com radioterapia é de 75mg/m²/dia, com rigoroso monitoramento de citopenias e de 200mg/m²/dia por 5 dias a cada 4 semanas tipicamente por um ano para pacientes com boa tolerância e sem evidencia de progressão tumoral.

Seguimento

Uma RM deve ser realizada de 24 a 72 horas após a cirurgia e entre 2 a 6 semanas após a radioterapia. O seguimento deve ser individualizado. Recomenda-se avaliações clínicas a cada 3 meses nos primeiros 2 anos, após esse período, as avaliações são semestrais.

Perspectivas

Agentes biológicos como os inibidores de receptores específicos, EGFR (erlotinib, gefitinib), o fator de crescimento endotelial vascular (bevacizumab), os inibidores da quinase (PTK787) e outros agentes, estão sendo avaliados em estudos de fase I, como agentes únicos e em combinação com agentes quimioterápicos (fases II e III). É fundamental a inclusão de avaliações padronizadas de qualidade de vida e função neurológica nos estudos de avaliação de tratamento.

 

 

 

Anúncios

3 Comentários »

  1. retirei um tumor cerebral no lobo direito com o auxilio de um neuronavergador , resultado oligodendrigliomas (grauII oms), depois de 8 dias em casa tive uma infeccão 11 dias internados antibióticos na veia eum liquor que vazava intensamente, em seguida fui para casa curativos 2vezes diários e antibióticos orais primeiro cipro 21 dias depois quemicetina 28 dias melhorou mas agora aos poucos esta voltando a vazar o liquor o que faço. vou novamente ao médico e ele me entope de antibióticos ou espero uma intervenção divina me ajudem por favor( ja faço uso de trileptal 300ml 2 vezes ao dia e rivotril de noite meu tumor foi descobrto graças a duas convunçóes que tive e mais a vista borrada,e as vezes a marcha que saia fora do prumo ,que com auxílio de exames descobri.

    Comentário por jeferson — 21/04/2011 @ 23:23 | Responder

    • Jeferson meu nome é Luciene,tenho um filho que hoje ele está com 15 anos ,quando tinha 12 anos teve apenas 1 convulsão que foi o suficiente para detectar um tumor do lado esquerdo com 16 dias fez a cirurgia de urgência ,graças a Deus foi um sucesso,a biopsia de oligodendroglioma grau II ele fez 28 sessões de radioterapia 1 ressonância a cada 6 meses e um eletro acompanhando, fez uso de tegretol por 2 anos ,agora o acompanhamento com o neuro dele é cada ano…E posso te dizer que Deus existe e ele pode tudo ,meu filho está perfeito e não sente mais nada..Tenha fé que vai ser curado 100% fica com Deus….Luciene

      Comentário por luciene josé veloso — 29/03/2012 @ 18:35 | Responder

  2. Luciene,jeferson, meu nome é Aline, tenho 27 anos, bom a minha familia tem epilepsia eu graças a DEUS não tinha nada ,mas os neurologistas de campinas foram fazer ressonancia pra fazer pesquisa,e nelas acharam essa mancha na minha cabeça,faz 5 anos que eu sei que tinha ,mas depois casei tive 1 filho e ano passado em 2011 passei mal,liguei pra médica e em 2 semanas fiz a cirurgia era um( oligodendroglioma grau ll) foi tudo bem, mas não estava tomando remédio, tive duas convulsões depois comecei a tomar fenobarbital e trileptal, mas começei a ter umas crises,e agora dia 05 de junho de 2012 fiz a outra com o neuronavegador,graça a DEUS não tive mais crise e agora ja estou tirando o remédio.sempre tive muita fé em Deus acreditem que tudo vai da certo pra todos nós.

    Comentário por Aline Mariele Magalhães Domingues — 15/08/2012 @ 17:59 | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: