Enfermagem no dia a dia

15/06/2009

Estudo de caso – Schwannoma

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 23:10
  • Mulher de 45 anos vem ao consultório com falta de ar e dor tipo pleurítica. Nega tosse hemoptise ou tabagismo. O exame radiológico do tórax mostra imagem mostra derrame pleral e massa na região posterior. A toracocentese mostrou líquido com características exudativa e o exame citológico não esclareceu o tipo de lesão. A ressonância magnética mostrou massa de 12 cm no seu maior diâmetro, com localização extra-pleural, de características heterogênea, com pequenas calcificações, e remodelação de corpos vertebrais.


Qual o possível diagnóstico?

As características na ressonância magnética sugere schwannoma, que são tumores benignos que se originam das células de Schwann, derivadas da crista neural e estão associados com a neurofibromatose tipo 2. Os sintomas são referenciáveis à compressão local do nervo comprometido ou à compressão das estruturas adjacentes (tais como o tronco cerebral ou a medula). Os schwannomas são massas encapsuladas bem circunscritas que estão ligadas ao nervo, mas que podem ser separadas dele.

O melhor exame para estudar os tumores posteriores do tórax é a ressonância magnética, pois exibe melhor o tecido e ajuda na identificação da extensão até o canal espinhal. A tomografia com contraste é a radiológica mais útil para as lesões torácicas, particularmente para lesões vasculares e neoplasias pulmonares. Entretanto, não revela adequadamente a extensão dos tumores neurogênicos.

O diagnóstico diferencial deverá ser feito com sarcomas, blastomas, teratoma, linfoma, hamartoma, neoplasia mesotelial e carcinoma broncogênico.

No interior da calota craniana, a localização mais comum dos schwannomas é o ângulo pontocerebelar, onde eles estão aderidos ao ramo vestibular do oitavo nervo. Os pacientes freqüentemente apresentam zumbido e perda da audição, e o tumor é normalmente referido como um neuroma do acústico. Em outros lugares na dura os nervos sensitivos são os especialmente comprometidos, incluindo ramos dos nervos trigêmeo e as raizes dorsais.

11/06/2009

Tumor Cerebral

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 14:59

Um tumor cerebral é uma massa de células que crescem de forma anormal no cérebro. O tumor pode ser benigno (não canceroso, que tem pouca chance de esparramar) ou maligno (canceroso, que provavelmente vai se esparramar). Tanto benigno como maligno, os tumores cerebrais são graves porque é um tumor que cresce comprimindo e causando lesão às outras estruturas no cérebro.

Há duas categorias de tumores cerebrais: primários e secundários. Os tumores primários originam-se do tecido cerebral, podem ser benignos ou malignos, e são classificados pelo tecido o qual eles começam:

 

  • Gliomas: São os tumores cerebrais primários mais comuns, começam dentro do tecido glial do cérebro (tecido de suporte). Os gliomas incluem os astrocitomas, os glioblastomas, os oligodendrogliomas e os tumores do epêndima.
  • Meduloblastomas: Tumores que vêm de células embrionárias jovens e acontecem mais geralmente em crianças.
  • Meningiomas: São relacionados ao tipo de célula de revestimento das membranas que envolvem o cérebro e a espinha dorsal. Eles geralmente são benignos, mas podem ser recorrentes (que voltam freqüentemente) ou malignos.
  • Glioblastoma Multiforme: É um tumor de alto-grau que pode surgir de gliomas de baixo-grau.
  • Linfomas: Surgem dos linfócitos, normalmente em outras partes do corpo, mas também podem acontecer só dentro do cérebro ou da medula espinha.

 Um tumor cerebral também pode ser um câncer que esparramou para o cérebro, vindo de outra parte do corpo. Estes são chamados tumores secundários (ou metastáticos), e geralmente vem dos pulmões ou da mama. Quando isto acontece, o câncer será igual ao câncer original. Por exemplo, câncer do pulmão que se espalha para o cérebro é conhecido como câncer metastático de pulmão porque as células do tumor se assemelham às células pulmonares anormais, em lugar de células cerebrais anormais. Os tumores cerebrais secundários são mais comuns que os tumores primários. Eles acontecem em aproximadamente 25 por cento das pessoas que têm câncer em outro lugar.

 Milhares de pessoas em todo o mundo são diagnosticadas com tumores cerebrais a cada ano, de acordo com a Sociedade Americana de Câncer. Embora os tumores cerebrais possam aparecer em qualquer idade, eles geralmente se incidem em adultos de 40 a 70 anos de idade e crianças entre 3 e 12 anos de idade.

 

 Quadro Clínico

 Os sintomas de um tumor cerebral são freqüentemente iguais àqueles de outras doenças, podendo desenvolver-se gradualmente. Dessa forma, eles freqüentemente passam desapercebidos por muito tempo antes do diagnóstico.

 Embora um tumor cerebral raramente cause dor de cabeça, as dores de cabeça em alguém sem história prévia, devem ser avaliadas por um profissional (neurologista). As dores de cabeça de um tumor cerebral tendem a ser pior ao despertar e a aliviar durante o dia. Outros sintomas dos tumores cerebrais incluem:

  • Vômitos e náuseas
  • Ataques epiléticos
  • Fraqueza nos braços ou nas pernas
  • Dificuldades na fala ou nos movimentos
  • Falta de coordenação ao caminhar
  • Mudanças na visão ou movimentos anormais dos olhos
  • Sonolência
  • Mudanças na memória ou na personalidade

 Os sintomas específicos de um tumor cerebral dependem de seu tamanho e do local em que ele se encontra no cérebro. Eles podem ser causados por vários fatores, incluindo:

  • Pressão aumentada dentro do crânio (hipertensão intra-craniana)
  • Lesão de uma área vital do cérebro
  • Inchaço (edema) e retenção de fluidos em volta do tumor
  • Hidrocefalia, às vezes chamada de “água no cérebro”, resultante do bloqueio do fluxo de líquido cérebro-espinhal (líquor) produzido no cérebro, que se acumula no interior do crânio

 

 Diagnóstico

 O médico irá perguntar por seus sintomas e sobre sua história clínica pessoal e familiar. Ele fará um exame físico e neurológico completo. O exame neurológico irá checar os reflexos, a coordenação, a sensibilidade, a resposta à dor e a força muscular. Ele examinará seus olhos com um aparelho iluminado, para conferir possíveis sinais de pressão intracraniana aumentada ou inchaço cerebral. Dependendo dos sintomas ou do exame físico, ele pode solicitar um ou mais dos seguintes exames:

  • Tomografia computadorizada (TC) — A TC cria uma visão tridimensional do cérebro através de uma máquina de radiografia (RX) que gira ao redor do corpo. Um contraste (tintura que aparece no RX) às vezes é injetado em uma veia antes do exame para facilitar a identificação do tumor.
  • Imagem de Ressonância Magnética (IRM) — Este exame oferece uma imagem do cérebro utilizando um ímã potente, um transmissor de radiofreqüência e um computador. Na IRM pode-se ver melhor algumas partes do cérebro que a imagem da TC. Um contraste especial pode ser injetado no sangue para intensificar as imagens e torná-las mais claras. Uma Angiografia por Ressonância Magnética (ou Angioressonância) é semelhante a IRM, mas mostra especificamente o fluxo de sangue nas artérias. Isto é útil para diagnosticar aneurismas ou definir melhor os tumores.
  • Punção lombar (Punção espinhal) — Uma amostra do líquido espinhal (líquor) é tirada da parte mais baixa da coluna com uma agulha. O líquido pode ser checado para ver sinais de infecção ou células cancerosas. Se você tem dor de cabeça, é especialmente importante que este exame seja feito para identificar as meningites infecciosas. Este exame normalmente é feito quando o neurologista já viu a Tomografia Computadorizada ou a Ressonância Magnética. Este exame também é importante se o diagnóstico é de linfoma cerebral. O tratamento é diferente para o linfoma cerebral que se espalhou pelo líquido espinhal.

Se um possível tumor é encontrado, você pode fazer um dos seguintes exames antes de uma biópsia ou uma cirurgia ser realizada:

  • Ressonância Magnética Espectroscópica – Este exame é semelhante a uma IRM mas intensifica sinais de substâncias diferentes no corpo que às vezes dá uma imagem mais clara de um tumor. O uso deste método para tumores cerebrais ainda é experimental, e não é habitualmente usado.
  • Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) — Este exame identifica um tumor através do uso de um açúcar ou de outras substâncias diferentes daquelas encontradas no tecido cerebral normal. Este exame é mais usado para avaliar o sucesso do tratamento, distinguindo o tumor do tecido cicatricial. Para este exame, uma dose muito baixa de açúcar radioativo é injetada em uma veia, que irá aparecer realçada na imagem do exame.
  • Angiografia cerebral — Ela às vezes é usada para avaliação adicional do tamanho e local do tumor se a cirurgia foi planejada. É uma radiografia das veias e artérias, usando um contraste especial para definir os esboços dos vasos sanguíneos.

Às vezes, tumores cerebrais são cânceres que se esparramaram de outras partes do corpo. Se isto é suspeitado, também podem ser feitos exames de Raios X de outros órgãos.

Uma vez o tumor tenha sido identificado, uma biópsia é necessária para identificar o tipo de tumor. Em uma biópsia, uma amostra pequena de tecido é retirada e examinada em um laboratório de patologia clínica. Um neurocirurgião pode usar a TC, a IRM e técnicas de estereotaxia para guiar uma agulha cuidadosamente ao local do tumor e tirar uma pequena amostra de tecido na sala de cirurgia. Ele também pode decidir fazer biópsias enquanto a cirurgia é feita para remover o máximo de tecido do tumor quanto possível.

 

Prevenção

Não há nenhum modo de prevenir o desenvolvimento de tumores cerebrais. Quanto mais se aprende sobre as causas dos tumores cerebrais, mais se poderá fazer para ajudar a preveni-los. Entre as áreas de investigação estão os fatores genéticos e hereditários, a exposição ambiental a certas substâncias químicas, e a exposição a certos vírus.

 

Tratamento

O tratamento para um tumor cerebral depende de seu tamanho, local e tipo, como também a saúde da pessoa e sua idade. A equipe de médicos envolvida no tratamento pode incluir um neurologista, um oncologista e um neurocirurgião. Os principais métodos de tratamento incluem a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. Muitas vezes, uma combinação de tratamentos é usada, como a cirurgia e a radioterapia. Antes do tratamento, podem ser dadas drogas como corticosteróides para reduzir o inchaço do tecido cerebral, e também podem ser prescritas drogas anticonvulsivantes para prevenir ou controlar os ataques epiléticos relacionados aos tumores.

Quando possível, a cirurgia é a primeira linha de tratamento e pode remover alguns tumores cerebrais benignos e malignos com sucesso. Os meningiomas, alguns ependimomas, gangliogliomas, e astrocitomas de cerebelo (área do cérebro responsável pelo equilíbrio) podem ser mais provavelmente tratados e curados através da cirurgia que outros tipos de tumor. Até mesmo se o tumor não pode ser removido inteiro, porque está preso a um tecido cerebral vital, os médicos irão freqüentemente retirá-lo para ajudar a reduzir a pressão intracraniana e aliviar os sintomas.

Porém, alguns tumores não podem ser removidos, ou a cirurgia é considerada arriscada. Em tais casos, uma biópsia pode ser feita para ajudar a determinar se outros tratamentos podem ser mais efetivos. Na biópsia, um pedaço pequeno de tecido é removido para ser examinado em um laboratório. A Cirurgia Estereotáxica é especialmente útil para alcançar tumores localizados profundamente dentro do cérebro e também para ajudar a definir os limites do tumor de forma que o tecido cerebral normal seja afastado. Isto abaixa a chance de efeitos colaterais e de lesões cerebrais durante a cirurgia.

A radioterapia, que usa raios potentes para matar células cancerosas, é freqüentemente usada após a cirurgia para ajudar a remover as células cancerosas que sobraram, e que não puderam ser removidas através da cirurgia. Considerando que as altas doses de radiação podem danificar o tecido cerebral normal, o oncologista especializado em radioterapia tenta mirar as doses altas de radiação em direção ao tumor, com doses mais baixas possíveis para áreas do cérebro circunvizinhas (ao redor). A radioterapia também pode ser dada colocando-se um material radioativo diretamente no tumor.

A radioterapia só pode curar algumas formas de câncer cerebral. Por exemplo, até a metade de todos os meduloblastomas são curados através da radioterapia. A radioterapia também é usada quando a cirurgia não for uma opção.

A quimioterapia pode envolver uma droga ou uma combinação de drogas anticâncer, normalmente é tomada por via oral ou através de injeção. Os linfomas cerebrais respondem muito bem à quimioterapia, como também à radioterapia.

 

Qual médico procurar?

Procure um neurologista para uma avaliação imediata se você teve ataques epiléticos inéditos, dores de cabeça recentes e severas, sonolência inexplicada, mudanças súbitas na visão ou dificuldade para falar ou para movimentar. Além disso, se você começou a sentir uma fraqueza súbita, ou mudanças na memória ou na personalidade, você deve procurar o médico imediatamente.

 

Prognóstico

A descoberta e o início do tratamento precoces são a melhor chance de recuperação dos tumores cerebrais cancerosos e benígnos. O prognóstico também depende do tipo de tumor, de seu tamanho, do local onde ele se encontra, da idade da pessoa, da extensão da cirurgia, e do quanto o tumor afetou as capacidades da pessoa. Em geral, tumores de baixo grau têm um prognóstico melhor. Os meningiomas também tendem a ter um prognóstico bom porque normalmente não são cancerosos e podem ser removidos mais facilmente. Os astrocitomas de alto-grau e os glioblastomas multiformes tendem a ter uma perspectiva ruim, mas há exceções.

28/05/2009

Tratamento Hormonal p/ Câncer de Mama

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 21:05

1) Introdução

Mecanismo de ação dos agentes hormonais

Hormônios influenciam o crescimento e a função de muitos tecidos normais. Interessantemente, alguns tumores preservam esta característica de proliferação celular estimulada pela ação de hormônios, como os cânceres de mama, próstata e tireóide. Entretanto, nem todos os tumores apresentam receptores hormonais em quantidade. Mesmo o câncer de mama, 60 a 70% daqueles ocorridos antes da menopausa e 20 a 30% dos ocorridos após a menopausa não apresentarão receptores hormonais estrogênicos os progesterônicos. A ação hormonal depende de ligações entre o hormônio e seu receptor citoplasmático específico; uma vez ocorrendo tal ligação, o complexo hormônio-receptor sofre uma alteração conformacional que facilita seu acoplamento à cromatina nuclear. Esta ligação provoca a síntese de RNA mensageiros específicos que, por sua vez, direcionam a síntese de novas proteínas, críticas para o crescimento e multiplicação celular. Assim sendo, torna-se lógico o uso terapêutico de medicamentos que, de alguma maneira, inibam ou bloqueiem tal efeito hormonal estimulador do crescimento celular tumoral. A atividade antitumoral de vários agentes hormonais depende da mesma seqüência de eventos, por vezes interferindo e bloqueando esses processos. Adicionalmente, a terapia hormonal apresenta vantagens em relação à quimioterápica, por não induzir efeitos colaterais importantes, como alopecia, vômitos e, especialmente, depressão da medula óssea e suas conseqüências, como anemia e baixa de glóbulos brancos e plaquetas.

A manipulação hormonal pode ser feita de três formas: antagônica, ablativa e aditiva. Na forma antagônica, utilizam-se medicamentos que bloqueiam ou antagonizam o acoplamento do hormônio ao seu receptor celular. Exemplos de drogas antagônicas são o tamoxifeno (antiestrógeno) e o flutamide(antiandrogênico). A terapia ablativa pressupõe a inibição ou o bloqueio da produção dos hormônios. Isto pode ser obtido através de meios cirúrgicos, como a ovariectomia (remoção dos ovários), a orquiectomia (remoção dos testículos), hipofisectomia (remoção da hipófise) ou adrenalectomia (remoção das adrenais) ou, de forma mais moderna e adequada, utilizando-se de drogas capazes de produzir uma redução substancial da produção hormonal equivalente à remoção cirúrgica das glândulas produtoras. Exemplos destas drogas são os LH-RH agonistas (bloqueiam a produção do hormônio luteinizante hipofisário e, consequentemente, reduzem os níveis de estradiol e testosterona), e os inibidores da enzima aromatase (bloqueando assim, a produção de estradiol pela glândula adrenal). Finalmente, a manipulação pode ser feita de forma aditiva, ou seja, administrando-se terapeuticamente o próprio agente hormonal, que pode atuar saturando receptores específicos, ou mesmo, atuando, por mecanismo de retroalimentação, inibitoriamente nos hormônios hipofisários. Exemplos de terapia hormonal ablativa são o uso de estrogênicos no tratamento do câncer de próstata e o de derivados da testosterona ou de progestágenos no tratamento do câncer da mama.

2) Integração do tratamento hormonal com outras formas terapêuticas

Adjuvante:

Quando a manipulação hormonal é utilizada posteriormente ao tratamento principal, quer seja ele cirúrgico ou radioterápico. Tem por finalidade promover, além do reforço ao tratamento primário, a eliminação da doença residual metastática potencial. O exemplo clássico de tratamento hormonal adjuvante é o uso do tamoxifeno após a mastectomia para câncer da mama. Seu uso por pelo menos 5 anos, ou mesmo a remoção cirúrgica dos ovários em pacientes antes da menopausa, reduzem o risco de morte por câncer de mama em até 23%.

Neoadjuvante:

Quando a manipulação é feita previamente ao tratamento definitivo, quer seja ele cirúrgico ou radioterápico. Nesse caso, o papel do tratamento sistêmico neoadjuvante é o de atacar precocemente a doença micrometastática, além de reduzir substancialmente o tumor primário, facilitando seu controle primário. Com o uso primário, podemos também testar eficientemente “in vivo” a atividade do tratamento sistêmico. Exemplos de hormonioterapia neoadjuvante são o uso de antiestrógenos, como o tamoxifeno, pré-operatoriamente em tumores volumosos da mama e o uso de anti-testosterônicos previamente ao tratamento radioterápico, nos tumores da próstata.

Como tratamento da doença metastática:

Quando a manipulação hormonal é utilizada na doença metastática, ou seja, aquela que atingiu órgãos distantes, como o fígado, os ossos e os pulmões. Nesse caso, os medicamentos não mais induzem a cura mas, controlam temporariamente o crescimento do tumor, prolongando a sobrevida dos pacientes e melhorando sua qualidade de vida, através da redução e controle dos sintomas tumorais.

Como preventivos:

Mais recentemente, ficou demonstrado que o uso prolongado de drogas como o tamoxifeno e o raloxifeno pode reduzir o risco de aparecimento de câncer de mama em pacientes predispostas. Novos estudos estão em andamento para a comprovação dos resultados obtidos, que são bastante promissores.

3) Medicamentos hormonais mais utilizados no câncer da mama

A manipulação do sistema endócrino é a mais antiga forma de tratamento do câncer de mama metastático. A intenção desta manipulação é a de diminuir os níveis circulantes de estrógeno ou o bloqueio da ligação do estradiol nos tecidos alvo. A descoberta dos receptores esteróides de estrógeno (ER) e progesterona (PgR) contribuiu para a seleção das pacientes elegíveis para tratamento hormonal. Sabe-se agora que pacientes cujos tumores expressam ER respondem à manipulação hormonal em cerca de 50% dos casos. Nas pacientes cujos tumores expressam ambos os receptores, os índices de resposta podem chegar a 75%, e nas pacientes cujos tumores não expressam estes receptores os índices de resposta são ao redor de 5%.
Entretanto, a manipulação hormonal não deve ser empregada, pelo menos como terapêutica inicial exclusiva, em pacientes que demandam respostas rápidas, como as portadoras de linfangite carcinomatosa sintomática (acometimento do interstício pulmonar pelo tumor), pois o início de seu efeito pode demorar até 30 dias para se efetivar.

Tamoxifeno: É um anti-estrógeno não-esteróide com atividade agonista e antagonista, que se liga competitivamente aos receptores de estradiol, deprivando, conseqüentemente, as células da estimulação proliferativa estrogênica. Adicionalmente, o complexo estrógeno-receptor transloca-se para o núcleo celular, causando injúria direta, possivelmente por interação com receptores do complexo estrógeno-receptor e receptores do complexo progestógeno-receptor intranucleares, além de interferirem em regiões da cromatina responsáveis pela expressão de genes. Entretanto, a atividade antiblástica do tamoxifeno pode ser verificada mesmo células tumorais sem receptores estrogêncos, o que ocorre em até 11% dos casos. Mecanismos distintos da atividade hormonal acima descrita têm sido responsabilizados, como interação com fatores de crescimento celulares (fatores de transformação alfa e beta- TGF, fator de crescimento ‘insulina-like “) e, principalmente, o aumento da atividade de células “natural killer” induzido pelo tamoxifeno, de maneira pronunciada. A dose recomendada é de 20 mg por dia. Não existe incremento da resposta com o aumento da dose acima da descrita. É eficaz no tratamento do câncer de mama feminino e masculino. É bem tolerado. Porém, em cerca de 3 a 4% das pacientes ocorrem efeitos colaterais significativos, a ponto de se interromper o tratamento, como vômitos, trombose venosa profunda, leucorréia, ondas de calor, distúrbios visuais, retinopatia, retenção hídrica, trombocitopenia e depressão. Seu clareamento farmacológico é muito lento, e independente da função renal ou hepática. Um fenômeno do relacionado com a manipulação hormonal é o “flare”, ou seja uma reação no local das metástases trasitória, com exacerbação dos sintomas locais, que muitas vezes pode trazer efeitos compressivos. Pacientes com lesões ósseas em coluna vertebral passíveis de compressão medular, devem receber a medicação com cautela. A associação de câncer de endométrio em pacientes recebendo tamoxifeno está presente em menos de 0,5% das pacientes; no entanto está incidência parece estar aumentada em pacientes que recebem tamoxifemo com finalidade de prevenção do câncer de mama, especialmente em doses acima de 40 mg/dia. Apresentação: comprimidos de 10 e 20 mg.

Progestágenos: (Acetato de Megestrol, acetato de medroprogesterona). Atuam nos receptores citoplasmáticos e nucleares celulares de progesterona, e também em nível central, bloqueando o eixo hipotálamo/hipófise. Provocam retenção de fluidos e ganho de peso . Os progestágenos são em geral utilizados como hormonioterapia de segunda linha no câncer de mama, por apresentarem efeitos colaterais mais intensos (retenção hídrica, tromboses venosas, hipertensão, aumento do apetite e ganho de peso) que o tamoxifeno. Também são indicados no tratamento do câncer de endométrio metastático, com respostas objetivas de até 35%. Pelo efeito de ganho de apetite e peso, têm sido utilizados como tratamento da caquexia dos pacientes com SIDA e câncer. São metabolizados no fígado e excretados na urina. A dose preconizada do acetato de megestrol é de 160 mg/dia por via oral, sendo questionável se doses mais elevadas tragam benefícios. Em doses habituais, o índice de resposta em doença metastática de mama é de cerca de 28%. O acetato de medroxiprogesterona é utilizado na dose de 1000 mg/dia por via intramuscular ou via oral no primeiro mês de tratamento e após, 500 mg/dia, 2 vezes por semana. Doses mais elevadas não são relacionadas com aumento da resposta, mas sim com maiores efeitos colaterais com abscessos musculares. Apresentação: acetato de megestrol – comprimidos de 40 e 160 mg, acetato de medroxiprogesterona- frascos de 500 mg e comprimidos de 500 mg.

Inibidores específicos da aromatase – anastrozole e letrozole: São bloqueadores específicos, altamente potentes e não esteróides da enzima aromatase. Inibem a conversão periférica e intratumoral de andrógeno em estrógeno, apresentando baixa toxicidade, caracterizada principalmente por náuseas e fogachos. Devido ao bloqueio específico, não necessitam de utilização conjunta com corticosteróides. Devem ser utilizados somente nos casos em que não haja produção de estradiol de fonte ovariana, como nas pacientes pós-menopausadas ou ovariectomizadas. As doses diárias são de 1 mg e 2,5 mg, respectivamente. Apresentação: comprimidos de 1 mg(anastrozole) e 2,5 mg(letrozole).

Agonistas LH-RH(hormônio liberador do hormônio luteinizante): São drogas ativas no tratamento hormonal do câncer de mama. As principais drogas utilizadas são a goserelina e o acetato de leuprolide, administradas mensalmente sob forma “depot”. Estas drogas atuariam como uma hipofisectomia química, sem os incovenientes de um procedimento cirúrgico e, consequentemente, reduzindo-se os níveis de estrógenos e testosterona gonadais circulantes. Em câncer de mama metastático, apresentam respostas objetivas em 45% das pacientes pré-menopausadas. Durante as primeiras semanas de tratamento, os sintomas tumorais podem se acentuar, pelo efeito agonista inicial do LH-RH, até que ocorra o efeito antagonista, pela saturação dos receptores hipofisários Este efeito “flare” pode ser previnido pelo uso inicial de tamoxifeno, no caso de câncer de mama, ou de um antiandrogênco como a flutamida, no caso de câncer prostático. Como efeitos colaterais, destacam-se ondas de calor, náusea, edema periférico, impotência e queda de libido. O custo da medicação é elevado. As doses “depot” recomendadas a cada 28 dias são: acetato de leuprolide – 1 frasco de 7,5 mg; goserelina – 1 frasco de 3,6 mg.

19/04/2009

Contaminação por uso de MERCÚRIO

Arquivado em: Saúde Ambiental — Larissa Fernanda Passere @ 00:45

No Brasil, no Estado de São Paulo, iniciamos um trabalho em 1987, utilizando a metodologia da pesquisa-ação, nas indústrias de cloro-soda, lâmpadas elétricas, pilhas e aparelhos de precisão e verificamos que a maioria das empresas não realizava tratamento  de efluentes e lançava suas águas contaminadas na rede pública de esgotos ou nos rios próximos. É incalculável a quantidade de mercúrio já lançada ao ambiente pelas empresas de todos os ramos industriais desde a instalação das mesmas. Visando a prevenção da intoxicação dos trabalhadores pelo mercúrio, em linhas gerais, foram solicitadas às empresas adoção das seguintes medidas: supressão do uso de Hg com substituição do produto ou do processo tecnológico; ou enclausuramento do processo de produção acompanhado da adoção de medidas de proteção coletivas, tais como instalação de sistema de ventilação local exaustor com captação do mercúrio e geral diluidora.


Com este trabalho, até 1994, chegou-se a reduzir o número de trabalhadores expostos, que era de 1.551, para 893 e o número de empresas que usavam mercúrio de 22 para 10. No início foi verificado que 32% dos trabalhadores expostos apresentavam níveis de mercúrio acima do limite de tolerância biológico. Este percentual é muito elevado e demonstra o descaso com que sempre foi tratada a questão por muitas empresas.


Dentre 448 trabalhadores expostos em diversos ramos industriais que examinamos 172 (38%) apresentavam o quadro de intoxicação por mercúrio. Dentre os intoxicados 14 já faleceram. O diagnóstico foi estabelecido com a aplicação de um questionário específico, realização de exames clínico-neurológicos pormenorizados, exames complementares e aplicação de uma bateria de testes neuropsicológicos que avaliam a memória recente, a função motora, o tremor, a atenção e a eficiência cognitiva.


Em estudo posterior foram avaliados os efeitos à saúde decorrentes da exposição a níveis pouco elevados de mercúrio e observou-se que os trabalhadores expostos apresentavam muitos sinais e sintomas de intoxicação significativamente elevados comparados ao grupo controle.


No Brasil não existem minas de extração de mercúrio, portanto, toda a quantidade utilizada é importada de outros países. A Carteira do Comércio do Exterior – CACEX regulamentou a importação de 151 toneladas de Hg, no período de janeiro a junho de 1989, sendo que a metade foi destinada aos seguintes ramos industriais: metais, pilhas, tintas/vernizes, cloro-soda, odontologia e instrumentos de precisão. Os restantes 50% foram adquiridos por revendedores, cuja destinação não há informações a respeito.


Sabe-se que os dados oficiais estão sub-registrados. Na área de garimpagem de ouro encontra-se facilmente mercúrio para comprar em diversos locais de venda das regiões de garimpo, onde qualquer pessoa consegue adquirir. A partir de 1990, com a abertura das importações não há informações oficiais a respeito das quantidades que entram no País.

A política de implantação e expansão do parque industrial brasileiro tem permitido a instalação e manutenção das mais diversificadas tecnologias de produção e diferentes situações de trabalho. Tanto os trabalhadores ficam submetidos aos riscos provenientes da situação do trabalho, como a população geral pela poluição causada ao ambiente.


A tecnologia atrasada aliada às péssimas condições de trabalho, à forma de organização perversa e o desemprego contribuem para o aumento das doenças e dos acidentes de trabalho. Submetida aos riscos provenientes do arcaico e do moderno, tanto no diz respeito à tecnologia, como nas relações de trabalho, a população trabalhadora também, sofre as conseqüências dos efeitos combinados de vários agentes agressivos à saúde.

A produção de cloro e soda pode ser feita através de três processos principais: célula com mercúrio, célula com diafragma de amianto e célula com membrana de troca iônica. As primeiras indústrias instaladas funcionavam com célula a mercúrio. Após a tragédia de Minamata, no Japão, houve uma mobilização mundial no sentido de substituir o processo de mercúrio. Entre as empresas produtoras de cloro-soda houve uma concordância em não se instalar mais nenhuma indústria com célula de mercúrio.


Muitas empresas adotaram a tecnologia de diafragma de amianto. Porém, foram difundidas as informações existentes sobre os malefícios causados por esta fibra à saúde humana e na década de 70 começou a ser implantada a tecnologia de membrana, que é uma resina de troca iônica e vem, desde então, substituindo os demais processos no mundo inteiro.

Algumas das empresas de cloro-soda que desativaram seus processos de célula com mercúrio foram: Fluminense, Lutcher, Nitroquímica, Refinaria Paulista, Klabin, Champion e Hoescht.

O mercúrio consumido por este tipo de indústria não fica contido no produto final, sendo parte recuperada e parte perdida no processo, contaminando o ambiente. Uma das empresas da região de Cubatão chegou a consumir 440 toneladas de mercúrio por tonelada de cloro produzido no ano de 1975.


Considerando que a tecnologia de membrana de troca iônica, pelo nível de conhecimento atual, não é um processo poluente e que os demais processos são altamente nocivos à saúde deve-se exigir a imediata substituição dos processos tecnológicos poluentes.

Outro ramo industrial que utiliza mercúrio é o de produção de lâmpadas fluorescentes e a vapor de Hg. A quantidade colocada em cada lâmpada varia de 12 a 120 mg de Hg dependendo do tipo da lâmpada, do cumprimento e do diâmetro do bulbo.

Com relação ao ambiente um dos grandes problemas é a perda de mercúrio após descarte final das lâmpadas. Em função da crise energética no país, ultimamente, está ocorrendo uma considerável elevação no consumo de lâmpadas fluorescentes, que são jogadas pelos usuários no lixo comum originando quantidades de mercúrio que poderão atingir proporções assustadoras. Para evitar o despejo no ambiente, após o uso do produto, as empresas produtoras ou importadoras deveriam ser responsabilizadas pelo recolhimento dos mesmos. Quanto ao ambiente de trabalho o processo de introdução de mercúrio encapsulado na lâmpada reduz a exposição dos trabalhadores.


Em indústrias de pilhas o mercúrio era usado para produzir pilhas alcalinas. Atualmente as pilhas são confeccionadas com um produto substitutivo do mercúrio. No início da década de 90 as indústrias em São Paulo desativaram o processo de produção de pilhas alcalinas. Restou uma indagação, o que foi feito dos resíduos e ambientes contaminados?

Nas indústrias de aparelhos de precisão o mercúrio é usado, principalmente pela capacidade de expansão uniforme de seu volume, na fabricação de termômetros, barômetros, manômetros, válvulas e interruptores de correntes. O processo de produção é muito artesanal e depende da habilidade manual pessoal. A aprendizagem da fabricação é realizada no local de trabalho através da passagem de experiência dos trabalhadores mais antigos. Esta situação favorece a existência de empresas clandestinas e de péssimas condições de trabalho. O mercúrio perdido no processo de fabricação vai para o esgoto. O mercúrio pode ser substituído por nitrogênio, álcool colorido ou outro produto.

Nas indústrias de tinta são usados compostos com função bactericida e antiincrustante.

Os poluentes mais significativos neste tipo de indústria são alguns metais como o cromo, cobre, chumbo, mercúrio, níquel e zinco e alguns solventes como o benzeno, tetracloroetileno, tolueno, naftaleno e tetracloreto de carbono. O mercúrio é usado sob a forma elementar e orgânica (fenil mercúrio).

A utilização de fungicidas mercuriais na agricultura foi proibida no Brasil, pela Portaria N° 2 de 06 de janeiro de 1975, que foi revogada e substituída pela Portaria n° 6 de 29 de abril de 1980, que proíbe novos registros de fungicidas organomercuriais e disciplina o comércio e uso dos estoques existentes. Isto não impediu a contaminação do solo de uma região de Campinas onde ocorreu o uso do agrotóxico em plantação de batatas.

Na década de 90 a garimpagem de ouro era praticada em aproximadamente 17 milhões de hectares, com predominância no Estado do Pará. A situação nas regiões de garimpagem de ouro é preocupante com relação ao mercúrio porque é muito grande a quantidade usada com o objetivo de amalgamar-se com o ouro que se apresenta em forma de pequenas partículas (ouro em pó). Em todos os tipos de garimpos existentes usa-se mercúrio e praticamente toda a quantidade utilizada é perdida no processo e permanecem no ambiente contaminando a flora e a fauna, particularmente os peixes.

Estima-se que para cada quilo de ouro produzido são empregados 1,3 Kg de mercúrio que se perde no ambiente. O mercúrio amalgamado com o ouro é posteriormente submetido a um processo de purificação, com aquecimento, no qual o mercúrio evapora-se poluindo o ambiente.

Elevadas concentrações de mercúrio foram encontradas em diferentes espécies de peixes nos rios Madeira (Rondônia), Tapajós (Pará) e região de Carajás. O nível letal em peixes é alto e ocorre quando os tecidos atingem concentrações de 10 a 20 ppm. Por isso muitos peixes sobrevivem e contaminam as pessoas que os ingerem. Pouco se sabe sobre os efeitos tóxicos nos animais aquáticos.

As complexas interações entre o físico, o biológico e o social tornam o ambiente vulnerável. A transformação de mercúrio metálico em orgânico depende de condições favoráveis, quais sejam, presença de matéria orgânica, bactérias específicas, pH ácido (pH<6), e temperatura elevada. Se estas condições ocorrerem nas regiões de garimpo os peixes contaminados com organomercuriais serão consumidos, tanto pelas populações ribeirinhas locais, que sobrevivem da pesca, como por populações de áreas distantes que consomem peixes, originando uma catástrofe de proporções sem precedentes. Além das mortes, as conseqüências previstas são cegueira, surdez e alterações neurológicas gravíssimas como as que foram observadas no Japão.

Muito nos preocupa a contaminação que atinge os trabalhadores expostos e os afastados contaminados ou com seqüelas de intoxicações, bem como, a situação que extrapola para toda população, através do lixo industrial que vem sendo despejado, ao longo destes anos, por empresas inescrupulosas que em décadas de industrialização têm deixado contaminantes espalhados no ambiente, muitas vezes com a conivência e a omissão do Estado e o desconhecimento da população.

É preciso que os órgãos de controle ambiental desempenhem as funções, para as quais foram criados, sem interferências ou interrupções no trabalho e adotando medidas concretas e adequadas para prevenir qualquer tipo de contaminação.

A despreocupação governamental com as questões relacionadas à poluição ambiental tem gerado situações de risco para a população que fica à mercê da ignorância, da corrupção e do imediatismo.

É necessária a existência de legislações articuladas, com punições rigorosas aos infratores e que permitam ações integradas entre os diversos órgãos de modo a impedir a descontinuidade da vigilância. As empresas devem prestar contas de suas ações para os órgãos públicos e para a população. As informações relacionadas às situações existentes e às ações desenvolvidas pelas empresas e pelos órgãos públicos devem ficar permanentemente disponíveis para a sociedade. É preciso vivenciar a transparência.

A justiça não enquadra os poluidores com prisão, obrigatoriedade de despoluição e pagamento de indenizações justas e a impunidade para os crimes ambientais permite este quadro devastador, de que diariamente temos notícia, afora os que sequer são divulgados.

Quem acaba pagando é a população, assim as empresas concluem que, aqui no Brasil, o crime compensa!

Fonte: Hospital do Cancêr – SP

18/04/2009

Duas novidades sobre o Câncer

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 19:57

A nova pista está no sangue

Em busca de sinais precoces da doença, cientistas da Universidade de Dublin, na Irlanda, descobriram moléculas de açúcar que podem denunciar a presença de tumores. É que algumas delas se ligam a proteínas produzidas pelas células cancerosas. Assim, a idéia é usá-las como marcadores de tumores. Daí, bastaria realizar um exame de sangue. “Mas devemos esperar pelo menos uma década para o método tornar-se realidade”, estima o oncologista Bernardo Garicochea, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

DEDO-DURO DE TUMORES
Veja como certos açúcares encontrados no sangue poderão acusar a existência de um câncer

1. As células do tumor fabricam proteínas que nem sempre podem ser identificadas com precisão. Pesquisadores irlandeses observaram que, ligadas a elas, existem moléculas específicas de açúcar.

2. Depois de extraídas do sangue, essas moléculas são separadas das proteínas e submetidas à ação de enzimas, que as quebram em frações menores. Esses pedacinhos, por sua vez, ganham uma identificação, que permitirá apontar a existência de um tumor.

A cura dos tumores?
Pesquisadores da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos, desenvolveram uma terapia que extinguiu o câncer em ratos. O tratamento consiste em transpor células de defesa dos bichos resistentes ao problema a portadores do mal. Os testes em seres humanos devem começar em breve. “Mas existe uma grande diferença entre as respostas imunológicas obtidas em ratos de laboratório e as ocorridas dentro do corpo humano, que são muito mais complexas”, pondera o oncologista Marcelo Fanelli, do Hospital A.C. Camargo (Hospital do Câncer em SP), em São Paulo.

Boa pergunta
“QUAL DEVO APLICAR PRIMEIRO NO ROSTO: CREME PARA TRATAR PROBLEMAS DE PELE OU PROTETOR SOLAR? UM PODE ANULAR O OUTRO?”

Comece pelo creme e só depois passe o protetor”, ensina a dermatologista Denise Steiner, de São Paulo. “Qualquer creme medicinal age ao penetrar na pele. Já o protetor fica na superfície cutânea. Dessa forma, se for aplicado primeiro pode barrar o efeito do medicamento”, continua Denise. Seu colega Heitor Gonçalves, de Fortaleza, no Ceará, informa que já existem cremes com filtro solar. “Converse com um dermatologista, que indicará o produto de acordo com a necessidade.” (E.M.)

 

 

29/01/2009

Converse com o seu médico…

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 12:23

Receber um diagnóstico de um câncer não é fácil pra ninguém. Por isso mesmo, já é esperado que você fique meio atordoado por um tempo. É muita informação nova e somente aos poucos é que você vai conseguir assimilar e entender tudo que está acontecendo com você e com a sua vida.
Pensando nisso, o Hospital do Câncer, criou para você um roteiro de perguntas para você utilizar durante a consulta com seu médico.
Estudos mostram que pacientes informados sobre o câncer e seus tratamentos, tendem a enfrentar melhor essa fase e até a apresentar menos efeitos colaterais quando comparados àqueles que simplesmente seguem as orientações médicas.

Sabemos que a informação pode lhe ajudar a se sentir mais seguro e participativo.

No entanto, muitos pacientes preferem não se aprofundar a respeito do tratamento. Não se preocupe, não há jeito certo ou errado para este caso. O importante é você identificar qual é o seu jeito e procurar respeitá-lo.

Orientações gerais:

Não leve dúvida para casa. Aproveite o tempo da consulta para esclarecê-la.

- Durante a consulta, se você não estiver entendendo o que o seu médico está lhe dizendo, fale pra ele. É muito importante que você não saia da consulta com dúvidas. Elas vão te preocupar em casa.

Tudo é muito novo, e o médico vai, com certeza, utilizar muitos termos que você não tem a menor idéia do que são. Se você falar que não entendeu, ele pode tentar te explicar de outra forma (por exemplo, utilizando uma figura ou fazendo um desenho).

- Tenha uma agenda só para o seu tratamento. Serão muitas consultas (muitas vezes com vários profissionais), exames, quimioterapias ou radioterapias. Use esta agenda para anotar as dúvidas que forem surgindo durante o tratamento.

- No dia do retorno, comece esclarecendo as suas dúvidas. Se der, anote as respostas ou peça para o seu acompanhante anotar.

- Seja paciente. Várias consultas serão necessárias para que vocês (médico X paciente) estabeleçam uma boa relação. Para que você comece a entendê-lo.

- Caso você queira obter mais informações sobre o seu caso, peça para o seu médico lhe sugerir sites ou livros.

- Caso você queira obter uma segunda opinião médica, você também pode avisar o seu médico. Isso é direito seu.

Informações gerais sobre o câncer

1. Qual é o meu tipo de câncer?
2. O que pode ter causado este tipo de câncer?
3. Pode ser genético? Devo conversar com as pessoas da minha família?
4. Como eu devo me preparar para iniciar este tratamento? Devo mudar alguma coisa na minha vida?

Sobre os sintomas

1. Quais os sintomas comuns neste tipo de câncer?
2. Como eu posso evitar ou diminuir esses sintomas no meu dia-a-dia?
3. Existe alguma atividade que eu não devo realizar ou que eu devo evitar para que os sintomas não piorem?
4. Se algum novo sintoma surgir ou piorar, como devo proceder?
5. Em quais situações eu devo ligar para você?

Sobre o diagnóstico

1. Para que possamos confirmar o diagnóstico, quais exames e procedimentos serão necessários?
2. Com que freqüência?
3. Como eu posso me preparar para esses exames ou procedimentos?
4. Onde eles serão realizados?

Estadiamento

1. Qual é o estádio da minha doença? Como isso determina o tratamento do meu câncer?
2. Minha doença pode progredir? E regredir?
3. Qual é o meu prognóstico?
4. Podemos falar em cura para o meu câncer?

Sobre o tratamento

1. Qual é o tratamento recomendado para a minha doença?
2. Este é o tratamento padrão?
3. Existem outras opções de tratamento?
4. Como será o meu tratamento? Com que freqüência? Quanto tempo durará o tratamento?
5. Se for quimioterapia, qual é o nome do medicamento?
6. Ele é um medicamento de referência? Ou é genérico ou similar?
7. Quais efeitos colaterais eu posso esperar?
8. Riscos e benefícios deste tratamento?
9. E se o meu câncer apresentar metástases, isso influencia no tratamento? O que acontece?
10. Qual é o resultado esperado?
11. Quanto tempo durará cada quimioterapia?
12. Vou sentir dor?
13. Precisarei ficar no hospital?
14. Daqui a quanto tempo, mais ou menos, poderei retomar todas as minhas atividades normais?
15. Se for radioterapia, quais efeitos colaterais eu posso apresentar?
16. Quanto dura cada sessão? Terei que fazer quantas sessões??

Recursos de Suporte

1. Existe na clínica ou no hospital, uma psicóloga para eu conversar?
2. E dentista, para eu fazer uma prevenção de mucosite?
3. E fisioterapeuta?
4. Onde eu posso encontrar informações que me ajudem a lidar com o meu diagnóstico? Sugestões de leitura e de sites.
5. E os meus familiares, há algum trabalho oferecido a eles?

Seguimento do tratamento

1. Em que situações eu devo ligar para a clínica?
2. De quanto em quanto tempo, eu devo remarcar uma consulta?
Estas são sugestões de perguntas que podem ajudá-lo na comunicação com o seu médico. Se for útil para você, aproveite. O importante é não ficar com dúvidas.

 

 

 

 

Você conhece os seus direitos?

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 12:13

É direito do paciente com câncer conhecer e ter acesso a seu prontuário e a toda documentação acumulada durante o tratamento desde atestados, laudos até resultados de exames. Vimos que o prontuário do paciente deve apresentar o histórico do paciente com câncer, o início e a evolução da doença, o raciocínio clínico adotado para o diagnóstico e para o tratamento, os exames realizados, a conduta terapêutica e todos os relatórios e anotações clínicas relativas ao paciente.  Além disso, o paciente com câncer tem direito a ter seu diagnóstico e tratamento por escrito, de modo claro e legível, identificados com o nome do médico e seu registro no respectivo Conselho de Medicina.

Você, paciente com câncer, tem o direito de ter toda esta documentação que é de extrema importância para instrução de todo e qualquer pedido jurídico. Todos esses documentos são essenciais para que os pacientes com câncer possam exercer seus direitos. É com essa documentação que os pacientes com câncer irão comprovar tudo aquilo que precisarem pedir aos órgãos públicos como Receita Federal e INSS ou às entidades privadas como bancos e planos de saúde. É muito importante que os pacientes com câncer tenham em mãos as vias originais de seus laudos médicos, exames, atestados, biópsias, radiografias e tomografias. Medidas judiciais não necessitam de documentação autenticada.Dependendo do caso, é importante também ter os laudos e exames médicos, as radiografias e as tomografias realizadas antes do diagnóstico do câncer, para comprovar que a doença não era pré-existente em casos de questionamentos dos planos de saúde. Guarde-os muito bem. Antes de entrar com uma medida judicial, tire cópia autenticada, no Cartório ou Tabelionato, de todos os documentos principais, guardando os originais em local seguro.

Caso você não tenha consigo algum documento médico, saiba que todos os dados dos prontuários médicos dos pacientes são arquivados e protegidos pelo Código de Ética Médica. O paciente com câncer (ou algum familiar) pode ter acesso às informações arquivadas. Elabore um requerimento dirigido ao médico, ao hospital ou ao posto de saúde em que foi realizado o atendimento médico, fazendo seu pedido em relação à documentação.

Todo requerimento ou pedido deve ser feito em duas vias, para se obter recibo de entrega na cópia. Uma cópia fica com o órgão para o qual o direito está sendo pleiteado. Exija e conserve sempre o protocolo de entrega (carimbo de data e assinatura) porque ele é de fundamental importância para contagem dos prazos.

Outros documentos importantes:

Tenha sempre em mãos os documentos que listamos a seguir. Quando solicitados, apresente a cópia autenticada:

- Certidões de nascimento, casamento, divórcio, óbito, dos pacientes e de seus dependentes;

- Carteira de Trabalho e Previdência Social;

- Extratos do FGTS;

- Contrato de plano de saúde, de seguros

- Contrato de financiamento da casa própria;

- Cartão do PIS/PASEP

- Carnês de contribuição previdenciária;

- Declarações do Imposto de Renda;

- Carta de concessão da aposentadoria;

- Outros documentos que possam comprovar situações previstas em lei e que garantam direitos.

Portanto, o primeiro passo para entrar com qualquer pedido é ter em mãos a documentação pessoal e médica em ordem e em mãos, com cópias autenticadas. Com os documentos em mãos, veja nas próximas seções, quais são os direitos que cabem aos pacientes com câncer.

 

 

Rotina em Oncologia…

Arquivado em: Oncologia — Larissa Fernanda Passere @ 11:50

Para aqueles que atuam no setor da Oncologia ou pensam em atuar, vai uma dica de leitura/estudo…

Rotinas em Oncologia

José Luiz Miranda Guimarães/Daniela Dornelles Rosa

Editora Artmed

 Este livro é um reflexo da riqueza da Oncologia Brasileira. Em seus 135 capítulos, praticamente todos os aspectos da Oncologia são contemplados, por sua extensão e qualidade, este livro constitui uma excelente opção como livro-texto, não somente para Oncologistas, mas também para outros profissionais de saúde com interesse em Oncologia. É sem dúvida, uma adição bem-vinda à literatura nacional.

Boa leitura!

Abraços

Larissa Passere

27/01/2009

ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva)

Arquivado em: Cardiologia — Larissa Fernanda Passere @ 23:06

ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva)


A Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) é uma síndrome clínica complexa, comum a vários processos patológicos cardiovasculares, cujas histórias naturais resultam em disfunção sistólica ventricular esquerda, ou seja, refere-se a um estado no qual o coração não consegue produzir um débito cardíaco que satisfaça as necessidades metabólicas corporais, ou faça apenas com pressões de enchimento elevadas. Essa condição pode ser decorrente da falência do ventrículo direito (ICCdireita) ou ventrículo esquerdo (ICC esquerdo).

 

A insuficiência cardíaca pode resultar de um grupo heterogêneo de distúrbios, alguns prejudicam diretamente a contratibilidade miocárdica (infarto do miocárdio); outros inpõem uma carga excessiva sobre o ventrículo, seja uma sobrecarga de volume (insuficiência aórtica) ou de pressão (hipertensão) .Os distúrbios que afetam principalmente a função diastólica com ou sem anormalidades contráteis associados, assim como uma restrição do enchimento ventricular.A arritmia cardíaca, dilatação, hipertrofia e ativação neuro- hormonais, também levam ao ICC


Algumas cardiopatias afetam principalmente o ventrículo direito e esquerdo.A ICE acarreta congestão pulmonar e\ ou sinais de redução do débito cardíaco sistêmico. Por contraste, a ICD secundária a uma doença pulmonar leva a distensão jugular e ao edema periférico.


A IC é acompanhada de ativação neuro- hormonal, que acarreta vasoconstricção sistêmica. Esta aumenta o retorno venoso, e o tônus arterial elevado ajuda a manter a P.A e a perfusão de tecidos cruciais. Assim ,aumenta a impedância à ejeção ventricular. O ventrículo anormal pode ser incapaz de manter o débito contra essa resistência. A ativação do sistema nervoso simpático também aumenta a freqüência cardíaca.. Um tônus simpático excessivo também pode aumentar as demandas miocárdicas de oxigênio e contribuir para lesão do miocárdio.


A retenção de sal e água que caracteriza a insuficiência cardíaca e o resultado final de vários fatores. A redução do volume sanguíneo renal devido à falência da bomba e a vasoconstricção renal geram percepção fisiológica de depressão do volume. As substâncias neuro-hormonais aumentam mais a retenção de água e sódio pelos rins.

 

Incidência Epidemiológica

A ICC é uma doença grave, com mortalidade muito alta devido, principalmente, à progressão da disfunção do miocárdio. A mortalidade em cinco anos é estimada em 50%, contudo, pacientes com ICC importante apresentam mortalidade em torno de 50% em um ano. Devido ao impacto social representado pela limitação física às atividades habituais do paciente, associado à redução de sobrevida, a ICC se constitui problema de saúde publica, comprometendo grande parte dos recursos públicos e privados, com gastos previdenciários e hospitalares, com uma entidade que em muitos casos é possível de ser prevenida.

Na população geral, 1,5% a 2% são portadores de ICC, porem , a prevalência aumenta de 6% a 10% entre pacientes com mais de 65%. O impacto econômico gerado por essa condição imensa com custos médicos elevados. No Brasil, as taxas de hospitalização devido à ICC se encontram em torno de 500 mil casos por ano.

 

 

Anotação de Enfermagem…

Arquivado em: Enfermagem — Larissa Fernanda Passere @ 23:00

EVOLUÇÃO DE ENFERMAGEM OU ANOTAÇÃO DE ENFERMAGEM 


Paciente……………………………………….. Idade ………………. Quarto………. Leito…………. Sexo……… Hora…………
Diagnostico…………………………………… Data: ……../……./…… folha nº ……………

Consciente, confuso
Calmo ou agitado
Hidratado ou desidratado
Hipocorado ou corado
Orientado no tempo e espaço, apresenta momentos de confusão
Extremidades frias ou aquecidas
Acamado ou em repouso no leito
Deambulando com auxilio, ou em cadeira de roda
Relacionando-se com o meio, ou comunicando-se através de gestos
Acianótico ou cianótico
Normotenso, hipotenso ou hipertenso
Eupnéico, dispnéico, bradipnéico ou taquipnéico
Afebril, pico febril, febril (maior que 37,8 º C)
Anotar se houve alguma anormalidade ou se o paciente refere
Anotar se mantêm venóclise
Anotar se paciente mantém intracath em jugular ou subclávia D ou E
Anotar se paciente mantém cateter ou mascara de oxigênio ou está em nebulização continua
Anotar se paciente está com SNG ou se estas sondas são para drenagem ou gavagem
Anotar se paciente está com SVD ou diurese espontânea, anotar aspecto e debito
Anotar se paciente está com curativo, tipo de curativo e secreções presentes( observar se o ferimento está limpo e seco ou contem secreções serosa, sanguinolenta ou purulenta.
Anotar se paciente mantêm drenos, anotar região, debito e aspecto das secreções
Anotar se paciente aceitou ou recusou a dieta

OBS: se paciente estiver evacuando e com eliminações vesicais presentes, anotar apenas eliminações fisiológicas presentes
Usar caneta vermelha à noite.

Anotar horários e todas as intercorrências do plantão
Medicar segundo prescrição medica e checar a medicação no ato de sua administração
Anotar cada procedimento efetuado segundo prescrição de enfermagem e quando mudar de decúbito, anotar posição colocada.

 

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