Enfermagem

13/04/2011

Cuidado com a droga – Paracetamol

Filed under: Artigos - Diversos — Larissa Fernanda Passere @ 12:50

Vamos para a boa e velha frase: “De médico e louco, todo mundo tem um pouco”.
É com esta frase que gostaria de abordar um tema onde a automedicação tem feito vítimas em várias cidades do Brasil e do mundo. Quem não gosta de receitar um remedinho para alguém?

Esta pratica entre nós brasileiros, além de muito errada tem nos levado a exposição de sérios problemas e riscos a saúde e muitas vezes feito vítimas fatais.

Todo mundo tem uma concepção muito errada do que é um medicamento.
Muitos pensam… Remédio foi feito pra aliviar, curar, melhorar, mas se esquece que todo medicamento é uma DROGA em primeiro lugar e uma droga que às vezes tem seus níveis tóxicos bem elevados e, muitas vezes buscando o bem, fazemos a ingestão do mal em nosso organismo e com o passar do tempo começam a desenvolver deficiências metabólicas e enfermidades que não pensávamos desenvolver.

Existe um medicamento chamado Paracetamol que desde os “tempos da vovó” sabemos que serve para aliviar a dor e baixar a febre graças a sua terapêutica (analgésica e antipirética). E ai quando estamos com qualquer mal estar febril corremos até a geladeira ou até a “Caixinha de Remédios” que temos em casa, a qual eu chamaria de “Caixinha de Veneno de uso Familiar” caso seja para fim de automedicação; mesmo que não seja para este fim de automedicar-se, medicamento tem vencimento e na hora de fazer o uso muitos nem procuram ver se está vencido ou não.

O paracetamol é um dos AINEs (Antiinflamatórios-não-esteroides) mais utilizados no Brasil, porém em Países como Estados Unidos e Espanha, seu uso está muito restrito, devido sua alta toxidade hepática. Ele atua no corpo humano através da inibição da Ciclooxigenasa (COX1 e COX2) e aqui temos um benefício que seria o alívio da dor, porém com isso nossa saúde paga um preço muito caro.

A COX1 ela aumenta a adesão das plaquetas (coagulação) e a COX2 produz uma substancia (Antitromboxano A2) que evita a coagulação e diminui o risco de trombose. Quando esse medicamento atua sobre as COX1 e COX2 ele atua mais sobre a COX2 e os riscos cardiovasculares aumentam (trombos e embolias).

Além disso, outros problemas entram em jogo.

1º. Esta droga é metabolizada pelo fígado, e para tanto o paciente não pode ter qualquer problema hepático (hepatites, cirrose e etc.) para fazer uso desta droga, e tampouco ter problemas renais, pois após ser metabolizada pelo fígado a droga é excretada pelos rins. Tanto o fígado quanto os rins possuem tecidos celulares muito frágeis e o uso de uma alta dose poderia provocar um dano tão severo e irreversível que apenas um transplante de órgão reverteria o quadro.

2º. Como o efeito analgésico não é tão eficiente, o que popularmente se faz é “aumentar a dose” e com isso aumenta-se os efeitos colaterais cardiovasculares, hepáticos e renais.

O cuidado deve ser redobrado para casos de dengue. Muitas vezes o paciente toma um paracetamol 750mg e em questão de uma hora como não baixa a febre, toma outra vez e assim às vezes chega fazer uso da droga 4 ou 6 vezes ao dia, desconhecendo os problemas. Ao tentar tratar da febre o paciente pode provocar um dano hepático irreversível, pois a dosagem máxima diária já estaria sido ultrapassada.

Então vem a pergunta: “O que devo fazer?”

A resposta é simples: Deve usar consultar seu médico, SEMPRE.
Qualquer antigripal ou analgésico tem sérios efeitos colaterais e somente um profissional saberá avaliar os riscos de cada um.

Agora cada um é livre para tomar suas decisões. Para febre e dor antes de utilizar um Paracetamol, eu daria preferência por uma Dipirona Sódica que é uma droga muito mais segura e eficaz, apesar de também ter efeitos colaterais como qualquer outra droga.

Outro detalhe, a febre não é doença e sim um mecanismo de defesa, a qual deve ser controlada para níveis abaixo de 38,5. O ponto positivo da febre é que ela ativa um sistema do corpo chamado “Sistema Complemento”, que conta com mais de 30 proteínas que tem funções específicas contra microorganismos.

Agora que você conhece os efeitos colaterais do Paracetamol, cuidado com este medicamento, e muito mais cuidados com sua automedicação.

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