Descrever um caso de leucoencefalopatia posterior reversível em paciente submetido a tratamento quimioterápico com vincristina.
Paciente do sexo masculino de 12 anos de idade, portador de hepatocarcinoma. Apresentava alteração da função hepática previamente ao início da quimioterapia (TGO 108 U/L, TGP 90 U/L, FA 510 U/L, GGT 864 U/L, Bbt 2.34 mg/dl, BbD 2,28 mg/dl). Dois dias após o primeiro ciclo de quimioterapia com cisplatina, 5-fluorouracil e vincristina iniciou quadro de dor em região da parótida bilateralmente, que foi seguida, após 48 horas, por crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas e aumento dos níveis pressóricos. Após o período pós-ictal da última crise, evoluiu com quadro de confusão mental e alucinações visuais, com duração de aproximadamente 15 dias, com melhora completa e sem seqüela neurológica. Foram realizadas, durante o quadro de alteração neurológica, duas tomografias computadorizadas de crânio, com intervalo de 8 dias, que evidenciaram áreas quase simétricas de hipoatenuação parieto-occipitais comprometendo as substâncias branca e cinzenta compatível com leucoencefalopatia posterior reversível. O paciente, posteriomente, foi submetido a outros ciclos de quimioterapia sem vincristina, não apresentando novos episódios de alterações neurológicas.
Pacientes com alteração da função hepática são mais susceptíveis a desenvolverem quadros de toxidade a vincristina. A leucoencefalopatia posterior reversível, apesar de rara, é uma neurotoxicidade que deve ser lembrada nos casos de alterações neurológicas em pacientes submetidos a quimioterapia com drogas sabidamente neurotóxicas como a Vincristina e a Cisplatina.